Sebo oferece oportunidades raras para os amantes da literatura

Cátia Matos trouxe o sebo de São Paulo para Barra de São Francisco

Os livros são objetos transcendentes, Mas podemos amá-los do amor táctil Que votamos aos maços de cigarro, Domá-los, cultivá-los em aquários, Em estantes, gaiolas, em fogueiras, Ou lançá-los pra fora das janelas, (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos), Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los, Podemos simplesmente escrever um”, o excerto da letra da música Livros, do baiano Caetano Veloso foi o que me veio à mente para descrever a sensação de entrar na Livraria Sebo, na Rua Mineira. “Encher de vãs palavras muitas páginas, E de mais confusão as prateleiras”, complementa o poeta, para descrever o cenário.

São centenas de livros, alguns do século 18, muito bem organizados em prateleiras de fácil acesso, além de gibis de super-heróis antigos e discos de vinil, daqueles que dá vontade de parar e ficar ouvindo. Na verdade, só falta mesmo ter uma vitrola na loja para a gente experimentar um pouquinho de Bezerra da Silva, das antigas, muito rock, música brasileira…

A responsável por tudo isso é francisquense. Cátia Matos conta que saiu daqui jovem, foi para São Paulo e, por lá, trabalhou junto com o marido Marco Antônio, por muitos anos, com um sebo e livraria.

De volta à cidade há nove anos, Cátia disse que não resistiu e decidiu dar continuidade ao projeto, que ela considera mais um hobby e uma contribuição para a cultura literária tradicional em Barra de São Francisco. “Aqui não tem livrarias, a não ser religiosas, e o nosso sebo é o único da região norte do estado. Só Aracruz, Vitória e Vila Velha têm”, conta orgulhosa a empresária.

Cátia, no entanto, reconhece que está difícil viver do pequeno negócio, já que pouca gente procura os livros hoje em dia. “O que me faz persistir é o fato de viver muitas histórias, conhecer gente interessante, como um senhor de Água Doce do Norte, cujo nome não me lembro agora. Ele chegou procurando livros antigos de aritmética, álgebra, disse que nunca sentou em banco de escola. Pegou um livro bem antigo, de aritmética e levou”, conta satisfeita.

Para melhorar o negócio, Cátia disse que mudou-se do Bambé para a Rua Mineira, mas precisa investir em opções para que o cliente venha e permaneça no seu espaço. “Já estive conversando com o Rodrigo, da Coordenadoria de Cultura do município, para que, quando houver algum evento, uma feirinha, por exemplo, eu possa levar os livros e discos para exor no local”, finalizou. (Weber Andrade)

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