domingo, 30 abril, 2017
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Quem é o presidente Erdogan e sua corrida desenfreada pelo poder na Turquia

A incansável Recep Tayyip Erdogan, adulado por metade da Turquia e odiado pela outra, venceu neste domingo (16) de forma apertada a votação mais importante de sua vida que reforçará seus poderes. A apertada vitória, que a oposição contesta, reflete a profunda divisão no país após 15 anos de Erdogan no poder.

Erdogan é tido como um líder combativo, autoritário e repressivo. No Ocidente, geralmente é descrito como um sultão impossível de desbancar, segundo diz à agência France Presse Aydin Aydintasbas, do Conselho Europeu de Relações Internacionais. Para esta campanha, o excesso de esforços mostram que sua base é tão firme como acreditam, acrescenta.

Os apoiadores fervorosos de Erdogan veem sua busca por maiores poderes como a recompensa justa para um líder que levou os valores islâmicos de volta à vida pública, defendeu as classes trabalhadoras devotas e construiu aeroportos, hospitais e escolas.

Apoiadores do presidente Erdogan comemoram resultado do referendo realizado neste domingo (16) na Turquia (Foto:  REUTERS/Alkis Konstantinidis)Apoiadores do presidente Erdogan comemoram resultado do referendo realizado neste domingo (16) na Turquia (Foto:  REUTERS/Alkis Konstantinidis)

Apoiadores do presidente Erdogan comemoram resultado do referendo realizado neste domingo (16) na Turquia (Foto: REUTERS/Alkis Konstantinidis)

Mas para os críticos de Erdogan –entre eles liberais secularistas, curdos de inclinação à esquerda e até alguns nacionalistas– seu controle cada vez mais rígido representa uma ameaça quase existencial.

Nascido em Kasimpasa, bairro operário de Istambul, Erdogan faz alarde com frequência de suas origens humildes. Educado em um colégio religioso, ex-vendedor ambulante, “Tayyip” tinha o sonho de se tornar jogador de futebol antes de se lançar à política pelo movimento islamista.

No poder há mais de uma década

Eleito prefeito de Istambul em 1994, triunfou em 2002 quando o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) venceu as eleições legislativas e se tornou primeiro-ministro um ano depois, ao ser anistiado de uma pena de prisão imposta por ter recitado em público um poema religioso.

Desde então, enfrentou uma dezena de processos eleitorais, e ganhou todos. Depois de passar 12 anos no cargo de primeiro-ministro, foi eleito presidente em agosto de 2014. Desde então continuou a dominar a política pela força de sua personalidade, não escondendo sua ambição por poderes mais amplos.

Em sua campanha para a presidência já dizia que queria promover uma reforma constitucional para ampliar os poderes do cargo, que no sistema parlamentarista tem poderes limitados e um papel mais cerimonial.

O referendo deste domingo chega após o pior ano de sua corrida, pela quantidade de atentados sofridos pelo país e pela tentativa de golpe de Estado frustrada em 15 de julho.

Militares turcos fecham o acesso à Ponte do Bósforo em tentativa de golpe de Estado em julho, na Turquia (Foto: Reuters)Militares turcos fecham o acesso à Ponte do Bósforo em tentativa de golpe de Estado em julho, na Turquia (Foto: Reuters)

Militares turcos fecham o acesso à Ponte do Bósforo em tentativa de golpe de Estado em julho, na Turquia (Foto: Reuters)

Desde então, vem capitalizando uma onda de patriotismo, argumentando que a Turquia está ameaçada por uma série de forças externas e precisando de uma liderança forte para conter os riscos do Estado Islâmico, de militantes curdos e dos inimigos internos que tentaram depô-lo e seus apoiadores estrangeiros.

Pelo menos 100 mil pessoas foram presas ou afastadas das funções desde a tentativa de golpe frustrada.

Com a aprovação das mudanças constitucionais no referendo, Erdogan pode permanecer à frente do Estado até 2029, quando estará com 75 anos.

Marca na história

O presidente, que domina a política turca há 15 anos, parece determinado a deixar sua marca na história de seu país, assim como o fundador da república, Mustafa Kemal Atatürk.

“Um burro morto deixa sua sela, um homem morto deixa sua obra”, repete com frequência o chefe de Estado, multiplicando as referências ao sultão Mehmet II, que conquistou Constantinopla em 1453.

Seus gigantescos projetos de infraestrutura transformaram o rosto visível da Turquia, especialmente em Istambul.

‘Imã’

O “Reis” (chefe) continua sendo para seus apoiadores o homem do milagre econômico e das reformas que libertaram a maioria religiosa e conservadora do país da dominação das elites laicas.

Nos encontros com seus apoiadores, Erdogan demonstrou mais do que nunca suas qualidades de orador, em dissertações com trechos do poema nacionalista e do Alcorão, medindo o tempo de silêncio para que suas palavras calassem os presentes.

“Erdogan é um imã, no sentido de que é capaz de encantar as massas, de fazê-las chorar, de fazê-las temer”, destaca à AFP Samim Akgonul, professor na Universidade de Estrasburgo. “Sua fala impressiona”, resume.

Grupo de apoiadores do presidente Recep Tayyip Erdogan se reúnem na praça Taksim em Istambul, na Turquia, contra a tentativa de golpe militar (Foto: Emrah Gurel/AP)Grupo de apoiadores do presidente Recep Tayyip Erdogan se reúnem na praça Taksim em Istambul, na Turquia, contra a tentativa de golpe militar (Foto: Emrah Gurel/AP)

Grupo de apoiadores do presidente Recep Tayyip Erdogan se reúnem na praça Taksim em Istambul, na Turquia, contra a tentativa de golpe militar (Foto: Emrah Gurel/AP)

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