Policiais presos responderão por tráfico, mas não têm nomes revelados

A Secretaria de segurança Pública (Sesp) não quis repassar nem os nomes, a patente do militar envolvido

Detalhes das prisões não foram repassados pela Sesp

Os policiais civis e o militar flagrados transportando 350 quilos de maconha, na terça-feira, na Serra, vão responder pelos crimes de tráfico e associação criminosa. A informação é do advogado do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), Luiz Alfredo Souza e Mello.

A Secretaria de segurança Pública (Sesp) não quis repassar nem os nomes, a patente do militar envolvido e nem os crimes pelos quais são investigados “para não atrapalhar a continuidade das investigações”. A secretaria não deixou claro qual investigação pode ficar comprometida: a de suspeita de tráfico de drogas ou as administravas, abertas pelas corregedorias das polícias Civil e Militar.

A reportagem solicitou informações oficiais como os nomes dos policiais presos, qual a autuação deles e por que faziam uma investigação sem o conhecimento dos comandos da polícias Civil e Militar, já que essa foi a justificativa dada por eles, no momento da prisão. Porém nenhuma dessas perguntas foi respondida pela Sesp.

Esse procedimento é diferente dos que são adotados em outras prisões por tráfico. Nesta quarta, a Polícia Civil divulgou a prisão de Jonathan Paranhos de Jesus, de 29 anos (foto abaixo), suspeito de tráfico de drogas. Ele foi preso em uma residência, no bairro Santa Mônica, com mais de dois mil pinos de cocaína.

Jonathan Paranhos de Jesus foi preso com cocaína e teve nome divulgado. Já os policiais, não

Prisão

Os três policiais foram presos em Carapebus, junto com outras três pessoas, em uma operação da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten), quando transportavam tabletes de maconha.

O carregamento, estava em um Ford Ka, que pertence a um dos policiais civis. Ele era escoltado por outros quatro veículos, sendo um Gol, onde estavam outro civil e um homem; um Voyage, onde estava o soldado da PM; um Corsa, onde estava uma mulher; e um Corolla, onde estava outro suspeito.

No momento da prisão, os policiais justificaram que estavam investigando a organização criminosa, que teriam apreendido a droga por conta própria e estavam encaminhando o material e os suspeitos à delegacia.

Porém, em coletiva à imprensa, ainda na terça-feira, a corregedora da PC, Fabiana Maioral, e o corregedor da PM, Coronel Brezinski, disseram que nenhum deles tinha autorização para investigação sem conhecimento de um superior.

Sem resposta

Perguntas

Perguntas que a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado (Sesp) não respondeu sobre o caso dos policiais flagrados transportando 350 kg de maconha:

1) Quais os nomes dos policiais?

2) Algum deles já responde processo nas Corregedorias da

Polícia Civil e da Polícia Militar?

3) Por que nenhum superior sabia da suposta operação dos policiais?

4) Por que os policiais da Delegacia de Crimes Conta a Vida de Vila Velha (DCCV) e da Divisão de Promoção Social (DPS) estavam envolvidos em uma investigação sobre drogas, já que é a Deten a delegacia responsável por essa área?

5) Qual a autuação de todos os presos na operação, incluindo os três policiais?

6) O que eles alegaram em depoimento?

7) Qual o prazo para término desta investigação?

8) No caso do policial militar envolvido, quanto tempo de corporação ele tinha e qual a sua patente?

OAB cobra transparência nas informações do caso

O presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), Homero Mafra, criticou o posicionamento da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e classificou o episódio como “falta de transparência”.

“A transparência tem que ser a regra. Não consigo entender, isso é um equívoco da Sesp. Em alguns casos se justifica o sigilo na investigação. Mas, isso acontece em casos excepcionais. Mas, neste, a prisão já aconteceu, ela é publica e notória”, diz.

O interesse público no caso é um dos questionamentos de Mafra. A Sesp não informou quem foram os agentes públicos presos e não divulgou também imagens deles. “A sociedade tem o direito de conhecer quem são esses policiais. Quem são esses que tiveram essas condutas delituosas. Isso tem que ficar claro. Os pesos e medidas devem ser os mesmos, sem restrições.”

Envolvidos vão receber assistência jurídica

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), Jorge Emilio Leal, disse que o sindicato está prestando auxílio jurídico aos policiais civis presos. Segundo o advogado Luiz Alfredo de Souza e Mello, que atua na defesa dos suspeitos, eles alegaram em depoimento que participavam de uma espécie “de averiguação de denúncia” e se viram envolvidos em uma situação de flagrante.

“Eles foram averiguar uma denúncia de tráfico e como são policiais 24 horas, se viram no meio de um flagrante. Não tinham como deixar de agir. Vamos esperar as investigações que estão em curso e o resultado da audiência de custódia”, respondeu. A Associação de Cabos e Soldados da PMES também se manifestou dizendo que está oferecendo apoio jurídico ao militar preso. Nenhum dos representantes de classe quis comentar sobre a acusação de tráfico de drogas.

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