Paulo Hartung não se decide sobre reeleição e fala de renovação política. Veja entrevista

Em entrevista ao Jornal Online Folha Vitória, Paulo Hartung declarou o não-apoio à candidatura de Temer e falou sobre a possibilidade de disputar reeleição.

O governador Paulo Hartung (MDB) passou por um período agitado durante a janela partidária de 2018. Ainda sem definição se deve concorrer à reeleição para o executivo estadual, o político evitou falar do assunto e, ao decidir ficar no MDB, agradeceu os convites de partidos outros. Veja a conversa com Paulo Hartung sobre seus planos para o futuro do Estado, do país e a nova configuração partidária da política no Espírito Santo.

O governador decidiu permanecer no MDB, mesmo partido do presidente Temer, mas já demonstrou insatisfação com o governo do presidente, como fica o palanque para o governo federal nas eleições de 2018?

Paulo Hartung: Toda minha energia, todo meu vigor, está dedicado a uma direção: administrar bem o governo do Espírito Santo. Não está na hora de montar palanque nem estadual nem federal. Quando isso será montado? A partir da segunda quinzena de julho deste ano. Tem uma eternidade até lá. Estamos em abril. Falta muito para chegar nas convenções partidárias. A eleição vai ser curtinha. Temos que dedicar todo nosso esforço pra dedicar a educação. Continuar com a Escola Viva, com o Pacto pela Aprendizagem, trabalhar pela questão do Jovem de Futuro, os três programas esteio na educação. A questão da Rede Cuidar na saúde, no SUS, estruturando. A Ocupação Social e tantos outros programas. O Espírito Santo está fazendo bonito.

O senhor tem apontado como prioridade na política uma renovação, oxigenação. Existem nomes no Espírito Santo capazes de atender essa expectativa?

Paulo Hartung: César (Colnago, vice de Hartung), André Garcia (ex-secretário de Segurança, Erick Musso (atual presidente da Assembleia) e Amaro Neto, que cresceu muito politicamente nas eleições municipais. Tem também Sérgio Vidigal e Audifax, que são lideranças na Serra. Quero mostrar que no Espírito Santo temos liderança. Estamos formando quadros para tomar conta do nosso presente e tomar conta do nosso futuro com responsabilidade e compromisso;

Se não se candidatar, o senhor fica longe do cenário político?

Paulo Hartung: Quando terminei a prefeitura de vitória estive sem mandato. FHC me convidou para ser diretor do BNDES, fui diretor da área social do BNDES. Agora quando terminei o governo, fui para iniciativa privada, trabalhei em dois conselhos de duas grandes empresas. Isso é normal na vida. Uma hora você tem mandato, outra hora vai pra área privada. Isso faz parte da minha vida. Mas a decisão não está tomada. Ela só será tomada em julho.

A nova formatação da Ales é positiva com relação ao governo?

Paulo Hartung: Acho absolutamente positiva. Fortaleceu e organizou a base que nos apoia. Eu tenho que dizer que não gosto desse sistema político que temos. Não gosto da lei partidária, dessa proliferação de partidos. Acho que as instituições políticas estão defasadas. Precisamos de reforma política, mas vamos ter um pleito que vamos ter que jogar o jogo com as regras vigentes. Espero que saiamos com capacidade de mudar o sistema eleitoral e aproximar a política do povo.

Rose deixou o MDB e ela já havia feito uma declaração para o enfrentamento. É um alívio não participar de uma eventual disputa com a senadora em convenção partidária?

Paulo Hartung: Eu acho que cada um fala pela sua atitude e seus gestos. Sobre minhas questões eu respondo.

Sete secretários deixaram o governo do senhor em virtude das eleições. Como é o término de governo com sete novos comandos?

Paulo Hartung: Extraordinário. Gosto muito de compor equipe, gosto de trabalhar com time bom, gente competente que sabe mais que eu na atividade específica. Fui buscar craques para substituir craques. Fui muito bem sucedido. Se estávamos com Barça (referência ao desempenho do time de futebol catalão). hoje estamos com o Real Madrid. É só ver o que estamos fazendo na segurança, na agricultura… Trouxemos currículos extraordinários. Precisamos ter time para conduzir as políticas públicas no nosso Estado e País.

Dois ex-membros do time do senhor têm ganhado expressão nacional, caso de Márcio Félix e Ana Paula Vescovi. Contudo Félix se encontra numa situação em que é segundo nome na pasta de Moreira Franco, envolvido em investigações. Qual sua avaliação sobre a situação?

Paulo Hartung: Minha avaliação é em relação ao Márcio. Profissional, competente, ético. Prestou serviços exemplares na Petrobras, eu que trouxe pro setor público e fez um trabalho lindíssimo no ES. Voltou pra Petrobras e agora foi pras Minas e Energia (ministério), sendo segundo homem do ministério. O segundo homem do ministério é tudo de bom. Tem um capixaba carimbando o passaporte. Maravilha. Falar da Ana Paula é falar do trabalho que abriu a perspectiva para projetos como os que temos desempenhado. O ES tá exportando gente qualificada e o ES está ganhando admiração do Brasil inteiro, quando precisa bate na nossa porta. Eugênio Ricas era nosso secretario de transparência e foi chamado para trabalhar no governo federal. Todos que vão temos orgulho. São competentes e éticos. Dão valor aos princípios republicanos e tem meu apoio total.

O senhor recebeu o convites de outras siglas e se manteve no MDB, quadro que aponta para o apoio da candidatura de Temer. Como isso se configura?

Paulo Hartung: Eu não apoio. Na eleição passada eu não apoiei esse projeto. Estando no MDB apoiei a oposição, apoiei a renovação, a alternância de poder. Tenho um comportamento linear. Recebi convite de muitos partidos, agradeço muito, é um gesto de carinho, só não fiz uma migração partidária porque acredito numa reforma política no país e fazer uma migração agora para daqui a pouco fazer outra não é producente, vamos deixar passar o processo eleitoral e se deus quiser vamos sair com a força do reformismo. Que aproxime a política do Brasil do cidadão.

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