Enem aborda direitos humanos, racismo e manipulação na rede

Alunos de uma faculdade fizeram panfletagem e distribuem frutas aos estudantes antes da prova

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Júnior Borém não fez provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo, 4, mas logo que soube do tema da Redação, fez questão de elogiar o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a quem rotulou de “corajosíssimo”.

“Abordou refugiados, feminismo, nazismo, golpe de 64 e a redação foi sobre manipulação de dados na internet, com um texto do Pepe Escobar, colaborador do 247. O Inep é foda. Os caras são valentes e competentes. Resta saber se vai haver represálias. Provavelmente, sim.” Pontuou.

Assim como Borém muitos estudantes que fizeram a prova em Barra de São Francisco avaliaram como “difícil” o conteúdo das provas de linguagem, ciências humanas e redação. É o caso da jovem Isabela M., que veio de Minas e fez as provas no Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral (Ceemti João XXIII – Escola Viva). Para ela, o tema da redação foi muito interessante e exigiu grande esforço para a elaboração de um texto crítico. “Foi a primeira vez que fiz, em busca de nota para o curso de Medicina. Acho que fui bem, mas as provas foram mesmo difíceis”, avalia.

Logo na sexta questão, a prova citou a diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Audrey Azoulay, em uma fala sobre a existência da discriminação e do ódio na sociedade. “A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 70 anos em tempos de desafios crescentes, quando o ódio, a discriminação e a violência permanecem vivos”.

Racismo – O exame também incluiu o trecho de uma matéria de jornal que cita a “intolerância do internauta” brasileiro, traduzida em mensagens de racismo, posicionamento político e homofobia. O racismo também foi abordado em um poema que aborda o discurso racista internalizado na sociedade. O racismo apareceu ainda na prova de ciências humanas, através da ativista Rosa Parks.

Rosa Parks foi uma costureira negra norte-americana que entrou para a história da luta pela igualdade de direitos civis ao recusar-se a ceder seu lugar no ônibus a uma pessoa branca. Parks foi presa por um dia, mas seu gesto deu início a um boicote ao transporte público local e culminou, meses depois, com o fim da lei que determinava a separação de negros em assentos separados dos brancos nos Estados Unidos. O episódio envolvendo Rosa Parks foi incluído na prova.

Violência contra a mulher – A violência contra a mulher foi outro tema levantado nas provas de hoje. Na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias, uma campanha publicitária contra o assédio a mulheres em trens de Porto Alegre foi tema de uma questão.

Uma peça publicitária da década de 1940 foi tema de outra questão na prova de ciências humanas e suas tecnologias. A peça reforça os estereótipos de mulher submissa e a prova questionou o estudante sobre essas distorções da visão, predominante à época, que se tinha da mulher.

Ditadura militar – A ditadura militar foi tema na prova de ciências humanas. O exame reproduziu a carta do cartunista Henfil ao presidente Ernesto Geisel escrita em 1979. Na carta, Henfil declara a devolução do seu passaporte, uma vez que os passaportes de outras oito pessoas, dentre elas Leonel Brizola e Miguel Arraes, tinham sido negados.

“Considerando que, desde que nasci, me identifico plenamente com a pele, a cor dos cabelos, a cultura, o sorriso, as aspirações, a história e o sangue destes oito senhores. […] venho por meio desta devolver o passaporte que, negado a eles, me foi concedido pelos órgãos competentes do seu governo”, diz um trecho da carta reproduzida no exame.

Prova mais conteudista – Para o professor de redação, sócio e vice-presidente de educação do curso online Descomplica, Rafael Cunha, o Enem manteve o padrão das provas dos últimos anos. “Muita leitura, uma variedade bastante grande de textos, desde técnicos, passando por literários, gráficos, ilustrações, fotografias e obras de arte”.

Segundo Cunha, a prova foi essencialmente de leitura e interpretação. “Foi uma prova de diversos textos ligados a questões sociais bastante relevantes como imagem da mulher, preconceito em relação à mulher, racismo. Uma prova com preocupação social bastante forte”. (Weber Andrade com Agência Brasil)

Aluna compra água mineral e lanche pouco antes da prova na Escola Viva

Enem teve menor percentual
de ausentes desde 2009

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve o menor percentual de faltantes desde 2009, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 24,9%, o que representa cerca de 1,4 milhão de estudantes do total de 5,5 milhões de inscritos.

Até então a menor porcentagem de ausentes foi registrada em 2011, quando 26,4% não fizeram as provas. De acordo com o ministro da Educação, Rossieli Soares, o número final de faltantes será divulgado no segundo dia do exame, 11 de novembro. Aqueles que comparecerem no segundo dia de prova serão considerados presentes.

Ontem, os estudantes fizeram provas de linguagem, ciências humanas e redação. O exame segue no dia 11 de novembro, quando os estudantes farão provas de ciências da natureza e matemática.

O gabarito oficial será divulgado em 14 de novembro, juntamente com os Cadernos de Questões, no Site do Enem e no Aplicativo. Já o resultado deverá ser divulgado no dia 18 de janeiro de 2019. (Agência Brasil)