Democratas ganham a Câmara dos Representantes nos EUA

A líder democrata na Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, comemora resultados das eleições com integrantes de seu partido em Washington, na terça-feira (6) — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA, configurando uma derrota para o presidente Donald Trump, que perde boa parte de sua base de apoio. O Senado, porém, continua sob maioria do Partido Republicano, que inclusive ampliou sua vantagem.

As eleições desta terça definiram uma nova Câmara e renovaram um terço do Senado, além de mais de 75% dos governos estaduais.

Todas as 435 cadeiras da Câmara estavam em disputa, e um partido precisava de 218 para garantir a maioria. Para os democratas, isso significava ter que “roubar” 24 postos de seus adversários, o que eles conseguiram.

No momento em que atingiu os 218, na verdade, o Partido Democrata tinha tomado 26 vagas republicanas. A essa altura, o Partido Republicano somava 192 deputados eleitos.

Das 33 cadeiras disputadas no Senado (outras duas eram alvo de uma eleição especial), os democratas precisavam manter as 22 que já mantinham, além das duas dos independentes que os acompanham nas votações, e ainda somar mais duas. Mas, pelo contrário, acabaram perdendo três, nos estados de Indiana, Dakota do Norte e Missouri.

Com isso, a maioria republicana, antes de 50 a 49, se tornou mais folgada, com pelo menos 51 a 44 (ou 46, considerando os votos dos senadores independentes), ainda faltando cinco estados concluírem sua apuração.

Até agora, os republicanos mantinham maioria nas duas casas, o que facilitava a aprovação da agenda presidencial. Outro revés para Trump é que, com o maior número de vagas na Câmara, os democratas também passarão a ocupar mais cargos nas comissões internas, e prometem ampliar as investigações sobre seu governo.

Segundo o chefe de gabinete da líder democrata Nancy Pelosi, o presidente Donald Trump telefonou para ela para cumprimentá-la pela vitória democrata na Câmara. Ele a agradeceu pelo chamado ao bipartidarismo que ela fez em seu discurso, disse Drew Hammil no Twitter.

Ao falar a eleitores e membros do Partido Democrata em Washington, Pelosi foi recebida aos gritos de “presidente, presidente”, em uma indicação de seu favoritismo a ocupar a posição de presidente da Câmara. “Graças a vocês ganhamos terreno. Graças a vocês, amanhã será um novo dia na América”, disse ela em seu discurso.

Alguns destaques da eleição

  • A democrata Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, se tornou a mulher mais jovem a ser eleita para a Câmara, aos 29 anos.
  • As democratas Ilhan Omar, de Minnesota, e Rashid Tlaib, de Michigan, se tornaram as primeiras mulheres muçulmanas eleitas para a Câmara.
  • As democratas Deb Haaland, do Novo México, e Sharice Davids, de Kansas, são as primeiras mulheres nativo americanas (de origem indígena) a se elegerem para a Câmara.
  • Em Mississippi, nenhum candidato obteve 50% dos votos na eleição especial para a segunda vaga do Senado, e uma nova votação será realizada em 27 de novembro.
  • Bernie Sanders, ex-pré-candidato à presidência, conquistou com facilidade seu terceiro mandato como senador por Vermont.
  • O republicano Ted Cruz, ex-pré-candidato à presidência, manteve sua vaga no Senado em uma das mais acirradas disputas deste ano, ao vencer Beto O’Rourke.
  • Greg Pence, irmão mais velho do vice-presidente Mike Pence, foi eleito para a Câmara por Indiana.
  • Jared Polis, do Partido Democrata, se tornou o primeiro governador abertamente gay dos EUA ao vencer a disputa em Colorado.
  • As “midterms” (eleições de meio de mandato) também proporcionaram uma mudança na representação dos governos estaduais. Dos 50 estados, 36 tiveram eleições, e os números foram favoráveis ao Partido Democrata, que inclusive ganhou em locais onde Trump foi vitorioso em 2016, como o Kansas.
Presidente dos EUA, Donald Trump, foi derrotado parcialmente nas eleições de ontem

Eleição serviu de termômetro para Trump

Para o presidente Donald Trump, a votação serviu como um termômetro para avaliar a reação do eleitorado aos seus dois primeiros anos de governo. Em geral, o partido do presidente costuma perder assentos nas “midterms”.

Trump se envolveu diretamente na campanha e participou de 11 comícios em oito estados, subindo inclusive no palanque de seu ex-adversário e grande desafeto Ted Cruz, candidato à reeleição no Texas. Sua participação durou até os últimos instantes e ele participou de três atos em Cleveland (Ohio), Fort Wayne (Indiana) e Cape Girardeau (Missouri) na segunda-feira, regressando à Casa Branca apenas na madrugada de terça, horas antes da abertura da votação. (G1 e agências internacionais)